Desvalorização é sentida por 80% dos professores, mostra pesquisa
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17/10/2008 - Desvalorização é sentida por 80% dos professores, mostra pesquisa

Por Agência Brasil

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Apesar disso, 67% dos docentes dizem que não deixariam a profissão


 Cerca de 80% dos professores se sentem desvalorizados pela sociedade, segundo a pesquisa “A Qualidade da Educação sob o Olhar do Professor”, da Fundação SM e da Organização dos Estados Ibero-americanos. Outros 75% ainda lamentam a desvalorização por parte da administração do colégio ou da secretaria de educação de sua cidade. O estudo ouviu oito mil docentes em 19 estados brasileiros.


“O fato de não serem valorizados como profissionais, sem perspectiva de bons salários ou planos de carreira, leva a um processo de desvalorização. Os jovens não procuram o magistério, o que cria um efeito dominó”, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.


Apesar da avaliação negativa sobre o reconhecimento, 67% dos professores disseram que não mudariam de profissão. “Esse percentual é muito bom. É mesmo uma profissão que envolve. Você está sempre em contato com o que tem de novo no mundo, que são as crianças e os jovens”, diz Leão.
Outro tema avaliado pela pesquisa foi o grau de satisfação dos professores em relação a diferentes aspectos da escola, desde infra-estrutura até relacionamento com famílias de estudantes. Para 81,3% dos entrevistados, a relação do professor com os alunos é o que dá mais satisfação.


Em todos os pontos analisados, o nível de contentamento é maior na rede particular que na pública. Sobre instalações, equipamentos e materiais que a escola dispõe para otimizar as aulas, 84,1% dos professores das escolas privadas dizem estar satisfeitos, contra 47,3% das públicas.


A professora Margarete Lopes, de Taguatinga, a 20 quilômetros de Brasília, vive as duas realidades. Ela leciona artes visuais em uma escola pública e uma particular.


Projetores, DVD, televisão e internet são alguns dos equipamentos que estão à disposição na instituição privada. “Os recursos digitais influenciam muito no processo de aprendizado, porque hoje, em qualquer nível social, o estudante tem acesso a essas tecnologias. Se a escola também oferece esses meios, o resultado é mais positivo”, avalia a professora.


No colégio da rede pública, os recursos são limitados. “A gente tem projetor, TV, laboratório de informática, mas é um aparelho e eu não sou a única querendo usar”, explica.


Além da questão estrutural, Margarete acredita que, para melhorar a qualidade do ensino público, é preciso que toda a sociedade se comprometa com a causa, além do governo.


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