Por Reuters Brasil
O Brasil pretende usar recursos do pré-sal para investir pesado na educação e elevar o país ao patamar dos Estados Unidos e da Espanha em pouco mais de uma década, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista à Reuters nesta terça-feira.
"A meta final do plano nacional até 2021 é que nós atinjamos a média (educacional) de países da OCDE... como Espanha e Estados Unidos", afirmou o ministro.
Para chegar a esse resultado e fechar os gargalos do sistema, não há equação diferente do que investir entre 6 e 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, defende Haddad.
A Unesco recomenda aportes da ordem de 6 por cento e países da Organização para Cooperação e desenvolvimento Econômico aplicam em média 5 por cento de suas riquezas. O Brasil investe hoje cerca de 4 por cento de seu PIB no setor.
"O esforço que o Brasil tem que fazer para superar o atraso educacional tem que ser maior que a média."
Segundo o ministro, este "empreendimento educacional" já está em curso, mas os recursos do pré-sal "viabilizam a sustentabilidade deste plano". O governo mais que dobrará os aportes em educação de 2003 até o ano que vem.
Em termos nominais, o orçamento da pasta passará de 21 bilhões de reais para 48 bilhões de reais em 2009.
GARGALOS
Educação de baixa qualidade e escassez de mão-de-obra qualificada são apontadas por analistas como dois dos principais obstáculos ao desenvolvimento do Brasil.
Após a descoberta das megareservas de petróleo na camada pré-sal no ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou o mantra de que os recursos obtidos com a produção da commodity serão usados para "resolver os problemas da educação" no país.
Apesar do boom das commodities e os bons resultados econômicos dos últimos anos, o Brasil ainda enfrenta problemas educacionais históricos que inibem a competitividade do país lá fora.
O Ministério da Educação tenta atacar três grandes gargalos: um passivo de 18 milhões de analfabetos; evasão de alunos no ensino médio (antigo segundo grau) na ordem de 5 milhões de alunos por ano e enorme carência de professores no ensino médio.
Haddad definiu quatro tarefas principais e pretende acelerá-las com o dinheiro do petróleo: aumentar a formação de professores e acesso ao ensino infantil, assim como ampliar a oferta de vagas em escolas técnicas e em universidades.
"Precisamos de um esforço adicional que os recursos do pré-sal podem ajudar."
Lula encomendou ao ministro um plano adicional para a educação contemplando a nova descoberta do petróleo.
SEM SOBRESSALTOS
Estimativas do setor apontam que, com o pré-sal, só a Petrobrás mais do que dobrará a demanda por profissionais qualificados para a construção de navios, refinarias e sondas de exploração petrolífera.
Para Haddad, o Brasil terá tempo e condições de sobra para suprir a necessidade de mão-de-obra qualificada.
"O Brasil está em ritmo acelerado de expansão (de novas vagas em universidades) e poderá enfrentar esse desafio sem sobressalto", assegurou.
"Pode haver gargalos em um ou outro caso e em uma ou outra região, mas o país como um todo está se preparando para isso."
(Reportagem adicional de Raymond Colitt)




